Percolação da água no Cerrado: Impactos das mudanças climáticas e do uso do solo

Percolação da água no Cerrado: Impactos das mudanças climáticas e do uso do solo

Trecho do rio Araguaia seca no Cerrado | Foto: reprodução/Instagram Viúva Araguaia

Alterações no regime de chuvas e práticas agrícolas afetam a capacidade do solo do Cerrado de absorver e reter água. Isso coloca em risco a sustentabilidade deste importante sistema biogeográfico.


As características de percolação* da água no solo do Cerrado, um dos sistemas biogeográficos mais ricos e biodiversos do Brasil, sofrem impactos profundos devido a fatores como mudanças climáticas, degradação do solo e conversão de áreas naturais para atividades agropecuárias e urbanas.


Essas alterações afetam não apenas a saúde dos ecossistemas locais, mas também a agricultura e o abastecimento de água para as comunidades que dependem desse sistema. Além disso, as mudanças no Cerrado afetam diretamente outros ecossistemas que dependem dele, como a Floresta Amazônica e o Pantanal.


Com uma vegetação savânica típica e um clima marcado por uma estação seca pronunciada e outra chuvosa, o Cerrado depende do equilíbrio hídrico para sua sustentabilidade. Entretanto, a variabilidade no regime de chuvas, intensificada pelas mudanças climáticas, altera esse equilíbrio. Eventos extremos, como estiagens prolongadas ou chuvas intensas, afetam diretamente a capacidade do solo de absorver e reter água, o que compromete a recarga dos aquíferos e a manutenção da vegetação nativa.


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Além das mudanças climáticas, o uso intensivo do solo agrava o problema. A transformação de áreas de Cerrado em pastagens, campos agrícolas e espaços urbanos provoca a compactação, a erosão do solo e reduz sua permeabilidade. O resultado é um aumento do escoamento superficial e a perda de nutrientes, fatores que dificultam ainda mais a capacidade de percolação da água.


Degradação perigosa


Os diferentes tipos de solo presentes no Cerrado, que variam desde os arenosos até os argilosos, respondem de maneiras distintas a essas pressões. Solos arenosos, com maior permeabilidade, são mais suscetíveis à lixiviação de nutrientes, enquanto os solos argilosos, apesar de reterem mais água, compactam-se facilmente e prejudica a infiltração. Práticas inadequadas de manejo, como o uso excessivo de maquinário pesado e a ausência de técnicas conservacionistas, agravam essas condições e aceleram a degradação do solo.


A situação exige ações urgentes para mitigar os impactos. A adoção de práticas de manejo sustentável, como a preservação da vegetação nativa, a recuperação de áreas degradadas e o uso de técnicas de cultivo que minimizem a erosão, torna-se essencial para garantir novamente a percolação adequada da água no solo do Cerrado. Isso não apenas ajuda a preservar o sistema biogeográfico, mas também assegura a disponibilidade de água para as atividades econômicas e para as comunidades.


conservação do Cerrado e a promoção de práticas agrícolas sustentáveis representam medidas imprescindíveis para evitar o colapso dos recursos hídricos na região. Proteger o Cerrado significa também proteger a vida e as atividades humanas que dele dependem. Para garantir sustentabilidade para uma das áreas mais importantes do Brasil e futuro para as próximas gerações.


Nota explicativa: Percolação


A percolação é o processo pelo qual a água da superfície infiltra-se no solo e move-se através dos seus diferentes horizontes ou camadas, até atingir os lençóis freáticos ou aquíferos subterrâneos. Esse movimento vertical da água é essencial para a recarga das reservas de água subterrânea e para a manutenção do equilíbrio hídrico do solo e dos ecossistemas.


No contexto do cerrado, a percolação é influenciada por vários fatores, como a textura e estrutura do solo, a cobertura vegetal, o uso da terra e o regime de chuvas. Solos mais arenosos, comuns em algumas regiões do Cerrado, permitem uma percolação mais rápida, enquanto solos argilosos tendem a reter mais água, dificultando a infiltração profunda. A remoção da vegetação nativa e a compactação do solo, causadas por práticas inadequadas de manejo, podem reduzir a capacidade de percolação e levar ao aumento do escoamento superficial e à erosão.


Isso causo outro grande problema: o assoreamento de mananciais, com acúmulo de terra, lixo e matéria orgânica no fundo de um rio. O fenômeno geralmente acontece quando o curso d’água não possui matas ciliares (vegetação nas margens do rio).



A percolação eficiente é fundamental para a saúde dos ecossistemas e para a disponibilidade de água para atividades humanas. Ela ajuda a filtrar e purificar a água e evitar o acúmulo de poluentes nos cursos d’água, o que assegura a recarga dos aquíferos, que são fontes importantes de abastecimento para muitas comunidades.


Para desvendar mais sobre o Cerrado, conheça a série de material publicado pelo Instituto Altair Sales. São livros e ebooks a partir de mais de meio século de pesquisas do professor e pesquisador Altair Sales Barbosa:


E-books: Amazon – https://abre.ai/jOlG


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