Hidrovia Araguaia-Tocantins: especialistas divergem sobre impactos ambientais

Hidrovia Araguaia-Tocantins: especialistas divergem sobre impactos ambientais

José Aluízio, vice-presidente do IAS, participa de comissão no Senado


Hidrovia Araguaia-Tocantins: construção da hidrovia Araguaia-Tocantins foi tema de acalorado debate na Comissão de Meio Ambiente do Senado


A construção da hidrovia Araguaia-Tocantins foi tema de acalorado debate na Comissão de Meio Ambiente do Senado, nesta quarta-feira (28/08). Especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil divergiram sobre os impactos socioambientais da obra, que promete facilitar o transporte de cargas entre as regiões Centro-Oeste e Norte do país.


O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) expressou profunda preocupação com a situação do Rio Araguaia, um dos maiores do Brasil. Segundo o parlamentar, o rio está sendo degradado por atividades econômicas predatórias, como a invasão de empresas que utilizam grandes volumes de água para suas operações. Kajuru alertou para o risco de um desastre ambiental sem precedentes, especialmente considerando a crescente devastação do Cerrado.


Um estudo do Instituto Altair Sales, apresentado durante a audiência, revelou que, no ritmo que está, nos próximos 40 anos a cobertura vegetal nativa do Cerrado deve ser reduzida em 80%, quando restará apenas áreas de conservações, como parques. Essa perda significativa de habitat tem consequências diretas para a biodiversidade e a disponibilidade hídrica da região.


José Aluízio Ferreira Lima, vice-presidente do Instituto Altair Sales, destacou o caso da Ilha do Banana, que já desapareceu em decorrência da degradação ambiental do rio Araguaia. “A questão da água será trágica neste novo Cerrado, que não é mais o mesmo Cerrado”, afirmou o pesquisador.


Sobre a situação do Araguaia, Kajuru foi enfático. “Infelizmente o que acontece hoje é que o rio está morrendo. Nossa maior riqueza em Goiás e uma das maiores do Brasil. Diversos empresários invadiram o rio e, ao redor dele, instalaram equipamentos gigantescos que vivem o dia todo roubando a água do Rio Araguaia. Esse é um assunto importante para todos nós, especialmente nesse momento que vivemos em relação ao meio ambiente, com tantas queimadas pelo Brasil”, apontou.


Divergências sobre o licenciamento ambiental


Representantes do governo defenderam a obra, argumentando que a dragagem e o derrocamento do leito do rio são necessários para garantir a navegabilidade e o desenvolvimento econômico da região. No entanto, especialistas e representantes da sociedade civil questionaram a qualidade do processo de licenciamento ambiental e alertaram para os impactos negativos da obra sobre comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos.


Alberto Akama, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, criticou o licenciamento ambiental, afirmando que ele não considera os impactos globais da obra e prioriza os interesses de grandes empresas em detrimento das necessidades das populações locais.


O procurador da República Sadi Flores Machado destacou a importância dos rios Araguaia e Tocantins para a cultura e a subsistência dessas comunidades. Segundo ele, as pessoas têm uma relação orgânica com o rio e lamentou que os dados científicos apresentados por pesquisadores não correspondem àquilo que é observado no licenciamento.


O futuro da hidrovia


A construção da hidrovia Araguaia-Tocantins é um projeto controverso que coloca em xeque a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental. A audiência no Senado demonstrou a complexidade da questão e a necessidade de um debate mais aprofundado sobre os impactos da obra e as alternativas existentes para o transporte de cargas na região.


Fonte: Impactos socioambientais da hidrovia Araguaia-Tocantins dividem debatedores

Assista ao vídeo da audiência



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